Desespero, dor, fome, frio… Difícil imaginar o que se passou na cabeça da mochileira Juliana Marins em seus últimas. A brasileira faleceu depois de ficar presa em um penhasco no vulcão Rinjani, em uma ilha da Indonésia, desde o última sábado (21).
“Hoje, a equipe de resgate conseguiu chegar até o local onde Juliana Marins estava. Com imensa tristeza, informamos que ela não resistiu. Seguimos muito gratos por todas as orações, mensagens de carinho e apoio que temos recebido’, escreveu o perfil administrado pela irmã de Juliana.
As tentativas de resgate haviam sido retomadas na manhã desta terça-feira (24) na ilha de Lombok, a mais de 1.300km da capital Jacarta. De acordo com informações da própria família, dois helicópteros ficaram de prontidão desde a última segunda-feira (23), um em Sumbawa e outro em Jacarta, porém o mau tempo impediu o sobrevoo. Ainda havia a possibilidade de utilizar uma furadeira de gelo para abrir caminho, além das tentativas de socorristas de descer até o local.
O terreno íngreme e de difícil acesso, junto a neblina densa dificultou a operação que contou com mais de 50 profissionais. Na última segunda, os socorristas chegaram a avançar cerca de 450m, mas ainda ficaram a 650m da jovem, segundo informações da família. A situação ganhou contornos dramáticos principalmente porque o tempo, em situações de resgate, é considerado crucial.
Embora o Rio de Janeiro — terra natal de Juliana — não tenha um local com condições tão adversas, o bombeiro Hebert Ferreira alerta sobre as questões envolvendo incursões em locais de difícil acesso.
“Dependendo de como as condições estiverem no local. De não dar para chegar naquela localização por causa de condição X ou Y, estiver muito perigoso, é comum que se espere mesmo o melhor momento. Não é uma coisa de ‘caraca, vamos chegar lá a toda prova’. A depender da situação, não dá para avançar dessa forma e você tem que esperar as condições melhores um pouco. A galera é ‘sangue nos olhos’, quer ir, mas, a depender da condição, você acabaria colocando a vida da guarnição em risco e acabaria não chegando tão longe”, explica o militar.
Quem era a brasileira que ficou presa em um vulcão na Indonésia?
Alegre, sorridente, cheia de vida, viajante, dançarina profissional de pole dance, publicitária, digital influencer e formada na Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ. Essas eram algumas características de Juliana Marins. Aos 26 anos, a jovem de Niterói — na região metropolitana do Rio de Janeiro — embarcou em um sonho, um mochilão pelo Sudeste da Ásia.

Na estrada desde Fevereiro, Juliana já havia passado por Vietnã, Tailândia e Filipinas. Na Indonésia, a brasileira decidiu fazer a travessia do vulcão Rinjani. Com 3.726m de altura, o Monte Rinjani — onde fica o vulcão — é o ponto mais alto da ilha de Lombok. A trilha, no entanto, marcou o início do seu pesadelo.
Considerada bastante desafiadora, sobretudo por conta da instabilidade climática, a subida do vulcão Rinjani pode durar de dois a quatro dias. De acordo com a “CNN”, o Parque Nacional onde está localizado o Monte já havia registrado 180 acidentes, sendo oito fatais só nos últimos cinco anos. Além disso, em 2016, cerca de 400 trilheiros precisaram ser retirados às pressas da trilha, mas por conta de uma erupção vulcânica.

Jornalista e viajante. Nascido no Rio de Janeiro, mas com cabeça sempre pensando no próximo. Ex-aluno do CEFET/RJ e formado em Jornalismo pela UFRRJ, comecei a Com A Perna No Mundo pelo desejo de viajar e de contar as histórias dos lugares e das pessoas pelo caminho.
