Em plena Salvador, no coração do Pelourinho, bastou uma aparição de três segundos para uma simpática casa azul — em meio a outras com a mesma arquitetura, na Praça José de Alencar — ficar imortalizada graças ao Rei do Pop, Michael Jackson. Em 1996, o artista, voz de uma geração, surgiu na sacada durante o clipe de “They Don’t Care About Us”. Décadas depois, o imóvel se tornou um ponto turístico soteropolitano.

Dia após dia, diversos fãs do artista aproveitavam o passeio pelo Largo para conhecer o icônico casarão. Além da cor diferente, uma réplica em tamanho real de Michael posava na mesma sacada onde o artista de carne e osso pisou. Porém, um processo judicial motivou o fechamento da Casa Michael Jackson na última quarta-feira (22).

Desde 2009, Carlos Alberto dos Santos vinha gerindo o espaço. No primeiro andar, o comerciante de 63 anos montou um templo para os apaixonados pelo Rei do Pop. Bolsas, broches, camisas, canecas, chaveiros, ímãs de geladeira e sandálias estampam o rosto do artista, enquanto uma televisão repetia incessantemente o seu famigerado clipe. Quem comprava na loja podia subir para a mesma sacada onde Michael Jackson pôs os pés.

“Uma menina, uma criancinha, estava aqui comprando com a mãe e pediu para tirar foto na sacada. Aí, eu tive a ideia de fazer esse marketing”, contou Carlos Alberto em entrevista ao jornal A Tarde, em 2015.

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Para manter a Casa Michael Jackson, Carlos Alberto alugava o espaço de um proprietário que dizia ser estrangeiro. Em 2015, a casa chegou a ser colocada à venda pelo valor de R$ 1,1 milhão, como noticiou o jornal A Tarde. Contudo, o comerciante alega ter recebido permissão para continuar no imóvel até o eventual surgimento de um comprador.

“Ele disse: ‘Olha, você pode ficar tranquilo. Você só vai sair daqui quando essa casa for vendida. Quando isso acontecer, você tem direito a ficar mais um mês’. O tempo passou, já colocaram à venda e já tiraram”, explicou Carlos Alberto ao portal g1.

Em contrapartida, a My Falcam Brasil Empreendimentos e Participações Ltda. acusa Carlos Alberto de descumprimento do contrato. Segundo a empresa, o contrato assinado por Carlos Alberto cedia apenas uma parte do pavimento térreo, não permitindo a exploração da sacada para fins comerciais. Além disso, a empresa afirma ter tentado reaver o imóvel em fevereiro de 2025, com o comerciante assinando um termo de distrato no valor de R$ 1 mil. Dinheiro posteriormente devolvido por Carlos Alberto, que pleiteou o usucapião do imóvel, mas teve o pedido indeferido pela Justiça.

Em 2019, o UOL já denunciava sinais de abandono no imóvel. Embora a sacada onde Michael pisou permaneça em bom estado, de acordo com o g1, um laudo do Corpo de Bombeiros, em 2025, apontou problemas estruturais no casarão, como fissuras, rachaduras e umidade nas paredes.

A polêmica chegou a Spike Lee, responsável por dirigir o clipe de “They Don’t Care About Us”. Em uma rede social, o cineasta publicou um vídeo com a camisa da Seleção Brasileira ao lado da estátua de Michael Jackson no Morro Dona Marta — outro cenário da produção —, no Rio de Janeiro, com a legenda: “Eles ainda não se importam com a gente”.

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